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Drop de tênis: como a altura do calçado pode interferir em lesões e performance, apesar de não ter efeito preventivo para lesões ou melhorar seu pace por si só




Para o corredor, o tênis é a principal ferramenta de trabalho. Mas, além da cor e do amortecimento, existe uma variável geométrica crucial que dita como as forças de impacto são distribuídas pelo seu corpo: o Drop.


O que é o Drop?


O drop é a diferença de altura entre a base do calcanhar (stack height traseiro) e a base da frente do pé (antepé). Um tênis com 30mm no calcanhar e 20mm na frente tem um drop de 10mm.


A Ciência por trás do Drop e a Sobrecarga Muscular


A literatura científica demonstra que a mudança no drop altera a cinemática da corrida e, consequentemente, o momento de força em diferentes articulações.


1. Drops Altos (8mm a 12mm): Foco nos Joelhos


Tênis com drop mais elevado tendem a facilitar a aterrissagem com o calcanhar (rearfoot strike). Isso desloca a carga de trabalho para as estruturas superiores.

Acontece uma sobrecarga, pois o maior momento de força, vai acontecer na articulação fêmoro-patelar (joelho) e no quadríceps.

Estudos indicam que o aumento do drop reduz o estresse no complexo do tornozelo, mas aumenta a demanda extensora do joelho.


2. Drops Baixos ou Zero (0mm a 4mm): Foco no Tornozelo e Pelve


Calçados com pouco drop incentivam a aterrissagem com o médio ou antepé. Isso exige muito mais da "mola" biológica do corpo.

A sobrecarga vai acontecer da seguinte forma, uma maior demanda sobre o tríceps sural (panturrilha), tendão de Aquiles e fáscia plantar, já a conexão com a Pelve é que occorre uma mudança na inclinação do tronco e na cadência para compensar o drop baixo, o que pode alterar a ativação da musculatura estabilizadora do quadril e assoalho pélvico.


O que dizem as Evidências


Para embasar a prática Clínica , selecionei alguns estudos de alta qualidade :


Malisoux et al. (2016) – Am J Sports Med (PEDro: 8/10):


Este ensaio clínico randomizado com 823 corredores demonstrou que o drop do tênis influencia o risco de lesão de forma diferente dependendo da experiência do corredor. Corredores ocasionais tiveram mais lesões com drops baixos, enquanto corredores experientes (como você, que busca performance) se adaptam melhor, mas a localização da dor pode mudar de lugar.


Besson et al. (2019) – Sports Medicine (PEDro: 7/10):


Analisou a influência do calçado na economia de corrida. Concluiu-se que não existe um "drop ideal" universal, mas sim uma adaptação individual. A transição brusca de um drop 12mm para um 0mm é uma das maiores causas de tendinopatias de Aquiles em consultórios.


Conclusão: Qual o melhor para você?


Como fisioterapeuta, minha recomendação é: não mude seu drop sem uma avaliação biomecânica.

Se você tem histórico de dores no joelho, um drop menor pode ajudar, desde que seu treino de força esteja em dia.


Se você sofre com panturrilhas e tendões, um drop maior pode ser seu aliado temporário.


Se o drop altera a geometria do impacto, a combinação de espumas de alta responsividade (PEBA) e placas de carbono altera a física da sua corrida.


1. Espumas de Nova Geração (Super Foams)


Diferente do tradicional EVA, as novas espumas possuem um altíssimo índice de retorno de energia.

O efeito no corpo é que elas reduzem a fadiga muscular periférica ao absorver o impacto e "devolvê-lo" em forma de propulsão. Isso permite que você mantenha ritmos intensos por mais tempo.

Ponto de atenção: Algumas são muito macias e instáveis, elas exigem muito mais da sua estabilidade pélvica e do controle motor dos tornozelos. Sem uma musculatura de core e assoalho pélvico competente, essa "instabilidade controlada" pode virar uma compensação, que gera lesão ou uma incontinência urinária.


2. Placas de Carbono: A Alavanca Biomecânica


A placa de carbono não funciona como uma "mola", mas sim como uma alavanca rígida, causando uma espécie de economia de corrida, funciona mais ou menos assim, a placa estabiliza a articulação metatarsofalângica (dedões), reduzindo a perda de energia e melhorando a economia de corrida em até 4%.


Porém o custo é uma sobrecarga específica.

Estudos recentes (como os publicados no Journal of Sport and Health Science) sugerem que a rigidez da placa pode aumentar a carga na musculatura intrínseca dos pés e nos isquiotibiais. Além disso, o efeito de "gangorra" desses tênis pode projetar o tronco para frente, exigindo uma compensação na inclinação pélvica.


No estudo do Hoogkamer et al. (2018) – Sports Medicine, por exemplo, foi atestado que a placa de carbono e espuma especial reduz o custo metabólico da corrida. No entanto, os pesquisadores alertam que a mecânica de "balanço" do calçado altera a força de reação do solo, o que demanda uma adaptação cuidadosa do sistema musculoesquelético.


O Veredito da Fisioterapeuta


Tênis de placa e drops variados são ferramentas de performance, desde que seu corpo esteja preparado para usar essa ajudinha do tênis. Meu papel é preparar o seu corpo para que ele seja o motor principal, e o tênis seja apenas o acelerador.


Se você sente dores ou instabilidade pélvica, o uso inadequado de tênis com muita espuma e placa pode estar mascarando uma fraqueza funcional.


Tênis de placa não corre sozinho. Como está o seu fortalecimento?

 
 
 

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